este conto é para falar de um homem que perdeu a chave do meu coração.
era assim: eu gostava dele, ele me amava e eu de vez em quando mudava de idéia. hoje eu gosto dele e ele ainda me ama. mas isso eu explico como aconteceu.
me deu de presente de um ano -- antecipado um mês, pra aproveitar a minha presença física -- um chaveiro de coração. ele tomou a liberdade de ficar com a outra metade da peça: a chave. a mim, coube o coração com uma fechadura inútil e sem potenciais -- o que não é o caso das chaves. e assim se deu nossa amizade. não me veio escrever amor porque me faltou pretensão. ok.
aí pegou que um dia ele tomou um táxi e esqueceu a merda do chaveiro, com a chave. a chave, entre tantas outras. por quê, meu Deus? tinha que ter deixado no táxi, Paulo Humberto.
ainda estou pra descobrir o que farei com o coração de metal e fechadura. certamente cabe em gavetas.