"minhas horas preferidas são as da manhã... quatro e meia, cinco horas... eu fico sozinha, tomando café... fumando..."*
autorização concedida, aguedelírios.
*clarice lispector, em entrevista concedida à tv cultura, 1977.
não tenho tido vontade de compartilhar o que escrevo.
não por aqui.
a algumas pessoas tenho endereçado cartas minhas e, embora não tenha recebido resposta qualquer, me amanso por saber que estão bem guardadas. bem lidas.
e antes que eu use muitas frases invertidas, digo logo que fico alegre e triste ao saber que sou admirado.
ao mesmo tempo, como quase todos.
por saber que sou compreendido e que ainda desperto identificação e pela constatação de que isso provoca efeitos em mim. ondulações fortes o suficiente para que eu volte aqui.
para compartilhar.
já quase faz um mês que não passo por aqui. ele não escreve mais, pensam. mas não se enganem. tenho escrito mais do que antes e tão frequentemente como nunca. e onde está? nas mãos de quem devem ler, oras. é que não tenho mais muito ânimo de por tudo aqui. assim, as palavras vão ficando na agenda, soltas, sem adata, sem leitor, sem reformar e sem paixão. mas, como disse, tenho escrito muito. tenho escrito cartas quase todos os dias, com exceção daqueles muito felizes, onde a alegria se transforma em euforia que me impede de ficar parado por instante qualquer.
há gente chegando agora. melhor eu fingir que estou aqui.