eu nem me lembro que tenho esse cantinho aqui quando me sinto feliz. escrever é coisa para pessoas tristes. ok, nada de estabalecer paradigmas (palavra boa, não?). mas para bons textos é preciso que se esteja no mínimo
reflexivo; em outras palavras, preparando o terreno para dar aquela boa desenterrada de defunto, resgatar velhas frustrações e ruminar toda a lama emocional fedendo a mofo.
eu deveria me esforçar mais para ser natural. ser natural requer imensos carregamentos de esforço. ora, pois não sabiam?
(pausa para conversa paralela imediata no msn)
vitu:
- tá no morrissey?
- é.
- a voz dele faz o coração doer.
- eu não gostava da voz dele no começo. mas quando passei a prestar atenção no que ele canta, até meus olhos doem. de chorar.(isso é uma frase de efeito, eu não consigo chorar).
- faz tempo que eu não choro. num sei se isso me faz forte ou uma pedra.
- me frustra imensamente não chorar. principalmente porque sinto necessidade... eu desenvolvi uma técnica feia e ridícula de chorar. para que as lágrimas caiam e então eu me sinta mais humano. mais vivo e mais sentidor da dor que abrigo. me sinto mais verdadeiro, menos de plástico.
de plástico me bastam os lábios e o rosto.
- eu ando fazendo análise, sabe.
- é?! eu não tava sabendo disso... o que você tem?
- o de sempre.
- solidão?
- não. é aquela velha história. você sabe qual.
- hum... e o que ele disse?
- é ela, uma mulher.
- sim.
- disse que na minha infância eu tive um trauma com o número 3.
- ah.
enjoado, cansado e vazio.
sei que as coisas não estão no seu lugar, nem sei lidar com elas. mas já peguei a manha de viver em
piloto automático.
papa de moicano diz:
como dizia, penso igual a rapoza do pq princepe.
paulo, o frágil diz:
hum
papa de moicano diz:
te tornas eternamente responsável por aquilo q cativas
papa de moicano diz:
lembra?
e eu que pensava que só eu me boicotava...
o acaso existe, sim.
perdi os paradigmas emocionais.
de.ser.to.
trissílabo.
ser corajoso.
me importar.
me policiar.
um, dois, três, meia e...
já!
na minha fita k7, ouço sussuros de chico buarque, me dizendo que
amores serão sempre amáveis. e então ouço uma mp3, e me vem nana caymmi, cantar que
amores terminam no escuro, sozinhos. então me bate a tristeza e a falta de vontades. na memória, um comentário de blog, que me encheu de significado:
sometimes when you lose... you win!!!
me vêm lágrimas aos olhos e vazios ao estômago quando me recaem esses momentos.
uma consciência sólida e inquestionável toma conta da minha mente e então vem o ódio. ódio por ser tão integralmente desesperado por amor e atenção e pelas minhas incapacidades em poder aceitar placidamente aquele menino que insiste, em igual desespero, doar-se.
que infâmia é atestar meu coração. que peso ele possui para as minhas mãos vazias de capacidade e atitude. quão triste é o meu lamento, por sua ilegitimidade e inação. me enoja aperceber e sentir todo o pano de fundo sentimental que denuncia meu ser copiado, desinteressado, perdido, mesquinho e, de todo, esgotado.
em noites de desconsolada solidão; companhias distantes para relembrar. uma, para resgatar momentos de outrora, quando a paixão coloria o ambiente - e mesmo depois de descolorida a paixão, ainda assim o alegrava - ; outra, para refrescar a minha memória, sobre quem eu presumo ser e precisar.
inanição.
frustrado.
isso aqui está parecendo site no estilo
lyrics.com.
c'est la merde aujourd'hui?
blé.