po.lis.sí.la.bo
domingo, janeiro 30, 2005
desafrancesado
nós somos pouca coisa
e minha amiga, a rosa
mo disse essa manhã
fui nascida da aurora
batisada de rosada
eu me desabrochei
feliz e amorosa
aos raios do sol
me fecho à noite
me acordo velha
porém já fui mui bela
sim, já fui a mais bela
das flores do teu jardim
nós somos pouca coisa
e minha amiga, a rosa
mo disse essa manhã
veja o deus que me fez
me fez curvar a fronte
e eu sinto que caio
e eu sinto que caio
meu coração está quase nu
tenho um pé no meu túmulo
já, eu não sou mais
você me admirava ontem
e eu serei poeira
por todos os amanhãs
nós somos muito pouco
e minha amiga, a rosa
morreu esta manhã
a lua, aquela noite
velou a minha amiga
eu em sonho a vi
inebriante e nua
seu coração que dançava
muito além dos desnudos
e que me sorria
acredite quem puder
eu, eu preciso d'esperança
senão, eu não sou nada
ou se for pouca coisa
é minha amiga, a rosa
que mo disse manhã de ontem.
sábado, janeiro 29, 2005
mon amie la rose (françoise hardy)
on est bien peu de chose
et mon amie la rose
me l'a dit ce matin
a l'aurore je suis née
baptisée de rosée
je me suis épanouie
heureuse et amoureuse
aux rayons du soleil
me suis fermée la nuit
me suis réveillée vieille
pourtant j'étais très belle
oui j'étais la plus belle
des fleurs de ton jardin
on est bien peu de chose
et mon amie la rose
me l'a dit ce matin
vois le dieu qui m'a faite
me fait courber la tête
et je sens que je tombe
et je sens que je tombe
mon cœur est presque nu
j'ai le pied dans la tombe
déjà je ne suis plus
tu m'admirais hier
et je serai poussière
pour toujours demain.
on est bien peu de chose
et mon amie la rose
est morte ce matin
la lune cette nuit
a veillé mon amie
moi en rêve j'ai vu
eblouissante et nue
son âme qui dansait
bien au-delà des nues
et qui me souriait
crois celui qui peut croire
moi, j'ai besoin d'espoir
sinon je ne suis rien
ou bien si peu de chose
c'est mon amie la rose
qui l'a dit hier matin.
how soon is now?
e no fim da madrugada você encontra:
a) aquele gostinho azedo na língua de quem andou comendo doce horas atrás.
b) o azedume sentimental de re-sentir novamente sensações familiares.
quiz: que será mais azedo, esperar ou regurgitar?
the look of love*
the look of love is in your eyes
the look your heart can't disguise
the look of love, it's saying so much more
than just words could ever say
and what my heart has heard
well, it takes my breath away
i can hardly wait to hold you
feel my arms around you
how long I have waited
waited just to love you
now that I have found you
you've got the look of love
it's on your face
the look that time can't erase
be mine tonight
let this be just the start
of so many nights like this
let's take a lover's vow
and seal it with a kiss
i can hardly wait to hold you
feel my arms around you
how long I have waited
waited just to love you
now that I have found you
don't ever go
don't ever go
i love you so
*dedicado carinhosamente à
futuros amantes.
ps: pensei em sublinhar algumas partes mais importantes, mas teria que fazer isso na música inteira.
quarta-feira, janeiro 26, 2005
meu amor mexicano
- para que te serve um ganso?
- for filling the emptines inside.
- i can't help thinking about sex... not all the time,but most of. i mean, i think about it when people say those ambiguous sentences but i'm afraid you're not talking about sex, are you?
- well... it is a game of words. jalando el ganso also means masturbation. so it is like rubbing the duck for filling the emptines in my life.
- oh, i got it! it was better than i thought... wish i could rub your duck. when you hold a boy's dick there's nothing to be sorry about.
- i don't want u to rub my dick... i want you.
- but i'm a little afraid of that kind of thing... passion, ok. love, i'm beggining to feel scared. if i imagine that someday somebody will make me feel happy, then i'm desperate.
- hm.
- i'm scared of that.
- don't be...
- and i'm scared because sometimes i think it's possible.
- well, maybe.
- and everything comes to the real touching-world. and i'm not talking about touching gansos.
- yes. but now i have to go.
- ok, see you.
- kisses.
- see you, and i loved your answer.
- all over our body.
sei que você não vai ver.
meet the artist: http://rodhia.deviantart.com/
domingo, janeiro 16, 2005
bang bang, i shot myself down.
é mais ou menos assim que funciona:
acontece o contato visual, cria-se o contato verbal e a imaginação fodida faz o resto. depois espera-se o telefone tocar até que ele não toque. então, eu junto algumas forças e cuido de pensar em como teria sido se não fosse.
sábado, janeiro 15, 2005
sensível indiferença
sempre querer não se importar com aquilo que, cruelmente, é tudo o que importa.
quarta-feira, janeiro 05, 2005
monodiálogo (até que enfim!)
- "eita, que olhão".
- "eita, que olhão".
- "ele olhou demais".
- "ele olhou demais, tomara que volte".
- renata, eu vi uma coisa linda.
- o quê, menino?
- vamos voltar, só para eu ter certeza.
- "puta que pariu."
- "eita pau".
(...)
- você pode ir lá e entregar.
- não, não!
- então quando ele olhar, deixe o bilhete em algum lugar, para que ele venha pegar depois que sair da loja, se ele estiver interessado...
- você tem durex aí?
fui até a vitrine e fingi que assistia as bactérias surfando nos pelinhos de pueira suspensos no ar, esperando o momento em que ele olhasse para fora da loja e percebe-se que agora só havia uma menina no banco em frente. uma cliente entra na loja e ele vira. não olha, dá boa noite à moça, diz que não tem o que ela procura. olha. no bilhete de cinema pregado no vidro, um telefone e pequenos sinais de uma possível volta, para os olhos mais atenciosos.
terça-feira, janeiro 04, 2005
blame on clarisse lispector
em quase todas as vezes que sento para escrever, travo épicas batalhas com os dedos. dentro, o sentimento de firme necessidade de corresponder às próprias expectativas de criar, ali no espaço em branco, algum tipo de mecanismo de palavras que ao serem lidas provoquem sensações de beleza e encantamento. ora, isso é uma coisa boa, diriam. vantagem ou defeito, o fato é que esta necessidade me põe delicadas algemas. a naturalidade me é arrancada e o parasita-beleza tenta desesperadamente se utilizar das mensagens que preciso dizer para satisfazer a sua vergonhosa e ilegítima vontade. pois sim, não seria eu o bicho?
post bobo oriundo da globo
"uma vez eu enchi a casa com água. quando chegou, em vez de me bater, ela me abraçou."
e aí eu pensei:
- à toda hora, isso é tudo que as pessoas precisam nesse mundo.
segunda-feira, janeiro 03, 2005
bitter-sweet dialogue
(...)
- amores são possíveis... desamores, prováveis.
- "amores serão sempre amáveis."
domingo, janeiro 02, 2005
de hoje à noite
o carro sobra na pista
a bola vai para escanteio
o tiro sai pela culatra
e à mim falta o chão.
sábado, janeiro 01, 2005
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