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sexta-feira, setembro 23, 2005

 

Alô, Onias:

Como vai? Espero que bem.

Estou escrevendo porque senti saudades suas e contrariando o que é hábito - esquecer - me flagrei lembrando de você. Não tinha muito o que lembrar - me refiro à quantidade - e foi horrível perceber o quanto que convivemos na mesma sala sem ter grande proximidade. Não sei quanto a você, mas entendo isso como culpa (?) minha, já que eu era muito diferente, assim julgo, e tinha outras prioridades nem um pouco nobres.

Como o mundo tem lhe tratado? Eu estou cheio de planos, esperanças e incertezas. O que é quase o mesmo que admitir que nada mudou, mas agora existe sim um diferencial. Me sinto tentado a escrever e não ameaçado pelas minhas próprias vontades - aqui falo de tudo, não só de me expressar. Tenho um pouco de vergonha de tantas vezes querer lhe telefonar e nunca chegar a fazê-lo, mas sou assim mesmo. Respeite os defeitos do seu amigo. Prometo que amanhã procuro o seu telefone e ligo sim. Inútil escrever isso aqui, já que não tenho a menor idéia para onde enviar, e com esses correios em greve a situação é ainda mais nebulosa. Ainda assim, não me abati e finjo que você recebe por telepatia cada frase que vou modelando. Daqui pra lá, vou telefonando. Seja feliz. Abraço do amigo

Paulo


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