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terça-feira, agosto 23, 2005

 

cartas à martin

agora é noite aqui.
sempre gostei da noite porque me sinto mais seguro, é a hora em que mais gosto de escrever. uma vez Capote disse que quando Deus nos dá um dom, dá-nos também um chicote e este serve unicamente para auto-flagelação. pois bem, tive vontade de escrever e espero que essas palavras não tenham grande efeito além do esperado - que é de arrancar um sorriso.tenho me estranhado porque já me peguei algumas vezes pensando no assunto-martin. nossas conversas mexem com minhas sensações. é como sentir um toque leve de uma mão morna sobre meu ombro, olhar para trás e não ver ninguém. você consegue me entender? espero não estar parecendo estúpido. sempre me sinto ridículo quando decido falar as coisas sem pensar muito nas conseqüências.
engraçado, sinto como se você pudesse ler tudo que eu escrevo de imediato, quase que lendo a minha mente... como numa conversa silenciosa. ainda assim, receio: agora mesmo, não consigo me lembrar sobre o que queria falar exatamente quando comecei a escrever aqui. as palavras me levam e meu pensamento voa. e por me entregar tanto e deixar meus dedos tão livres para se expressar é que tenho medo de não soar natural. justamente por ser natural demais - ao meu modo, claro- por ser transparente demais. mas tudo bem, afinal, até as águas mais transparentes se tornam escuras quando são muito profundas, não é? (estou rindo, não escondo que penso maravilhas a meu respeito).
acho melhor parar antes que fale bobagens demais.

beijo,
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