po.lis.sí.la.bo

quinta-feira, abril 21, 2005

 
eu odeio as pessoas sem imaginação.
e odeio ter mais do que deveria.

segunda-feira, abril 18, 2005

 

antecipação



"sabe, virna. quando a gente tem uma grande certeza dentro de si, o melhor a fazer é guardá-la bem escondida, para que o ser amado não a descubra. pois se ele perceber e nele não houver também o germe do amor, tudo - que quase sempre não é muita coisa - se perderá."

sexta-feira, abril 08, 2005

 

metáfora inventada

sentado no banco de alvenaria, levei minha mão para a parte de trás do assento, para me apoiar melhor e senti-o sujo. minha primeira reação foi a de limpar a minha palma. mas, rapidamente, percebi que não sentia nojo, nem enxerguei sujeira naqueles grãos, pelo contrário. olhei para o resto de barro que a chuva tinha deixado ali, onde minha mão havia pousado, quis pegá-lo, passei meus dedos na terra, noteia sua aspereza e quando fechava meus dedos sobre ela, a sua maciez. acariciei lentamente. bolinhas amarelas, pretas, vermelhas. uma composição infinita de minúsculos pedacinhos de algo grande que a qualquer outro que pousasse sua mão ali acidentalmente, despertariam uma vontade de espanar as palmas e soltar um eca. talvez eu mesmo, mas hoje, não. vou guardar essa areia nas minhas unhas roídas o resto do dia. e quando quiser me lembrar de como é sentir essa metáfora que inventei só pra mim - sobre eu e os outros, levarei minhas falangetas à boca e chuparei meus dedos avidamente e mastigarei as tais pedrinhas crocantes. quanto aos vermes, não os ignoro; não me importo também. afinal, nunca estrelas eu os supus.*

*para entender, ouvir adriana calcanhoto, o verme e a estrela.

segunda-feira, abril 04, 2005

 
a minha vitrola está no repeat.
ok, talvez vitrolas não tenham modo repeat. e eu, certamente, não tenho vitrola. mas eu gosto de pensar que tenho. e gosto de ouvi-la re-tocar a mesma música. "repetindo, repetindo, repetindo, como num disco riscado. o velho texto batido, dos amantes mal-amados, dos amores mal-vividos"... nunca escondi de mim que adorava remexer na terra já remexida de uma cova rasa; ou funda, não fazia diferença. eu ia lá com uma pá ou escavadeira - o que fosse necessário - para reviver o passado em bons tragos de cigarro, reconstrangindo a minha garganta.
essa tarde me rebateu a reconhecida dúvida. uma intragável que, quando antes engolia, me retornava num refluxo já reincidente. quaisquer fraquezas que fizessem-me tremer as pernas frágeis ou viessem me quebrar os braços (pois saibam, o coração também tem membros), deixavam-me mole como uma lesma numa manhã de maio. abrindo caminho para as lembrançaws tão vivas na minha mente e tão mortas e ausentes na mente dele. bem, essa tarde veio para me ajudar. ela veio me dizer que talvez agora eu possa fagocitar a dúvida de vez, sem re-volta, mesmo sabendo que ela vai se manter dentro de mim, intacta e indigerível. indirigível.

Archives

dezembro 2004   janeiro 2005   fevereiro 2005   março 2005   abril 2005   maio 2005   junho 2005   julho 2005   agosto 2005   setembro 2005   maio 2007   junho 2007   julho 2007   agosto 2007   setembro 2007   outubro 2007   dezembro 2007   abril 2008   fevereiro 2009  

This page is powered by Blogger. Isn't yours?